segunda-feira, agosto 15, 2011

Alfabetizar com Ecologia


Alfabetização Ecológica, 

o desafio para o próximo século  

Fritjof Capra, 1999

Desde sua introdução, no começo dos anos 80, o conceito de sustentabilidade tem sido distorcido, cooptado e mesmo banalizado quando usado sem o contexto ecológico que lhe dá o sentido adequado. Portanto, acredito ser importante refletir por um instante sobre o que sustentabilidade realmente significa.
O que é sustentável, em uma comunidade sustentável não é o crescimento econômico, o desenvolvimento, a fatia de mercado ou a vantagem competitiva, mas toda a teia da vida, da qual todos nós dependemos. Em outras palavras, uma comunidade sustentável estaria desenhada de uma forma que a sua vida, negócios, economia, estruturas físicas e tecnologias não interferissem na habilidade que a natureza tem de sustentar a vida.
O primeiro passo nessa caminhada, naturalmente, é compreender os princípios de organização que os ecossistemas desenvolveram para sustentar a teia da vida. Essa compreensão é o que eu chamo alfabetização ecológica.
Os ecossistemas do mundo natural são comunidades sustentáveis de plantas, animais e microorganismos. Não há lixo nestas comunidades ecológicas: o resíduo de uma espécie é o alimento da outra. Assim, a matéria percorre um ciclo contínuo na teia da vida. A energia que alimenta os ciclos ecológicos vem do sol, e a diversidade e a cooperação entre os membros das cadeias é a fonte da resistência da comunidade.
O Centro de Alfabetização ecológica em Berkley dedica-se a adotar a experiência da compreensão do mundo natural na educação fundamental. Ser ecoalfabetizado significa, no nosso ponto de vista, compreender os princípios básicos da ecologia e ser capaz de aplicá-los na vida cotidiana das comunidades humanas. Particularmente, nós acreditamos que os princípios da ecologia devem nos guiar para a criação de comunidades sustentáveis. Em outras palavras a alfabetização ecológica oferece um sistema de conhecimento ecológico para a reforma educacional.
A palavra ecologia, como vocês sabem, veio do grego oikos (casa). Ecologia é o estudo de como a casa Terra funciona. Mais precisamente, é o estudo das relações que interligam todos membros da casa Terra.


Sistemas Vivos
A teoria mais apropriada para a ecologia é a teoria dos sistemas vivos. Esta teoria que hoje está em grande evidência, tem suas raízes em diversos campos científicos que se desenvolveram durante a primeira metade do século - biologia organísmica, psicologia gestalt, ecologia, teoria geral dos sistemas e cibernética.
Em todos estes campos cientistas exploraram sistemas vivos, o que significa integrar partes cujas propriedades não podem ser reduzidas em pequenas partes. Embora nós possamos perceber partes em cada sistema vivo, a natureza do todo é sempre diferente da mera soma das partes.
A teoria dos sistemas envolve uma nova maneira de ver o mundo e uma nova maneira de pensar, conhecida como pensamento sistêmico. Significa pensar em termos de relações, conexões e contextos.
O pensamento sistêmico alcançou um outro nível nos últimos vinte anos com o desenvolvimento de uma nova ciência da complexidade, incluindo toda uma nova linguagem matemática e um novo conjunto de conceitos para descrever a complexidade dos sistemas vivos.
Exemplos destes sistemas são abundantes na natureza. Cada organismo - animal, planta, microorganismo ou ser humano - é um todo integrado, um sistema vivo. Partes de organismos - folhas ou células - são também sistemas vivos. No mundo vivo vemos sistemas abrigando outros sistemas. E sistemas vivos incluem comunidades de organismos. Estes podem ser sistemas sociais - uma família, uma escola, uma cidade - ou ecossistemas.
Os sistemas vivos são todos cujas estruturas específicas surgem das interações e interdependências entre as suas partes. A teoria dos sistemas nos diz que todo sistema vivo divide um conjunto de propriedades comuns e princípios de organização. Isto significa que o pensamento sistêmico pode ser utilizado para integrar disciplinas acadêmicas e descobrir similaridades entre fenômenos de diferentes escalas: a criança, a classe, a escola, o bairro e as comunidades e ecossistemas vizinhos.
Os princípios da ecologia são os princípios de organização que são comuns a todo sistema vivo. Isso poderia ser dito assim: existem diferentes padrões de vida. E de fato, em comunidades humanas eles podem ser chamados princípios de comunidade.

É claro que há muitas diferenças entre ecossistemas naturais e comunidades humanas. Não há cultura nos ecossistemas, não há consciência, justiça nem equidade. Então não podemos aprender algo sobre estes valores humanos estudando os ecossistemas naturais. O que nós podemos aprender é como viver de forma sustentável. Em mais de três bilhões de anos de evolução os ecossistemas se organizaram para maximizar a sustentabilidade. Esta sabedoria da natureza é a essência da alfabetização ecológica.



A teia da vida
Então, como os ecossistemas se auto-organizam? Bem, a primeira coisa que percebemos quando observamos um ecossistema é que não se trata de um simples conjunto de espécies, e sim uma comunidade, o que significa que os seus membros dependem uns dos outros. Eles estão todos interconectados em uma vasta rede de relações, a teia da vida.
Compreender ecossistemas nos leva ao estudo de relações. Este é um aspecto-chave do pensamento sistêmico. Implica uma mudança no foco, do objeto para a relação. Uma comunidade vibrante é plena de múltiplas relações entre seus membros. Nutrir a comunidade significa nutrir essas relações.
Agora, entender relações não é fácil para nós, porque é algo que vai contra a ciência tradicional da cultura ocidental. A ciência mede e pesa coisas. Mas relações não podem ser pesadas nem medidas, devem ser mapeadas. Você pode desenhar um mapa de relações, interconectando diferentes membros e diferentes membros da comunidade. Quando faz isto, descobre certas configurações de relações que se repetem. A estas configurações damos o nome de padrões. O estudo das relações nos leva ao estudo de padrões.


Matéria e Forma
E aqui nós descobrimos uma tensão que é bem característica da ciência e filosofia ocidentais, através dos anos. É uma tensão entre duas maneiras de compreender a natureza, o estudo da matéria e o estudo da forma. Essas duas maneiras são bastante diferentes. O estudo da matéria começa com a questão: "do que é feito". Isto leva para uma noção de elementos fundamentais, blocos de construção que são medidos e quantificados. O estudo da forma pergunta: "qual é o padrão?". E este leva a uma noção de ordem, organização e relações. Em vez de quantidade, envolve qualidade, em vez de medida, envolve mapeamento.
Então, essas são duas linhas de pesquisa muito diferentes, que competiram entre si na tradição científica e filosófica. Na maior parte do tempo, o estudo da matéria - de quantidades e constituição - foi dominante. Mas nas últimas décadas a ascensão do pensamento sistêmico trouxe o estudo da forma - dos padrões e das relações - para a discussão novamente. A principal ênfase na teoria do caos e da complexidade está nos padrões. Os estranhos atratores da teoria do caos, os fractais da geometria fractal - todos esses são padrões visuais. Toda essa nova matemática da complexidade é essencialmente uma matemática de padrões.


Arte e Educação
Como disse anteriormente, quando você estuda um padrão necessita mapear um conjunto de relações, enquanto estudar a matéria é estudar as quantidades que podem ser medidas. Compreender padrões requer visualização e mapeamento. Esta é a razão pela qual sempre o estudo dos padrões esteve na vanguarda, os artistas contribuíram significativamente para o avanço da ciência. Talvez os dois exemplos mais célebres são Leonardo da Vinci, que dedicou sua vida a estudar padrões, e o poeta alemão Goethe, que no século XVIII, fez contribuições significativas para a biologia ao estudar padrões.
O estudo dos padrões, portanto, é central para a ecologia. Para educadores, esta percepção deve ser também importante porque ela abre a porta para integrar as artes ao currículo. Dificilmente existe algo mais eficiente que as artes - artes visuais, música ou artes performáticas - para desenvolver e refinar as habilidades naturais das crianças para reconhecer e expressar padrões. Assim as artes podem ser uma poderosa ferramenta para ensinar o pensamento sistêmico, além de realçar a dimensão emocional que é cada vez mais reconhecida como um componente essencial do processo de aprendizagem.


Os princípios da ecologia
Quando o pensamento sistêmico é aplicado ao estudo dos múltiplos relações que interligam os membros da casa-Terra, alguns princípios básicos podem ser reconhecidos. Eles podem ser chamados de princípios da ecologia, princípios de sustentabilidade, ou princípios de comunidade, ou você poderia chamá-los de princípios básicos da vida. Nós necessitamos de um currículo que ensine às nossas crianças esses princípios fundamentais da vida:
· que um ecossistema não produz lixo, o lixo de uma espécie é o alimento da outra;
· que a matéria cicla continuamente através da teia da vida;
· que a energia que alimenta os ciclos ecológicos vem do sol;
· que a diversidade assegura a sobrevivência;
· que a vida, desde o seu começo há mais de três bilhões de anos atrás, não expandiu-se pelo planeta através da competição, mas através da cooperação, parceria e trabalho em rede.
Ensinar conhecimento ecológico, que é também sabedoria ancestral, será o papel mais importante da educação no próximo século.


Reforma do sistema escolar
Como tem sua base intelectual no pensamento sistêmico, a alfabetização ecológica oferece uma poderosa ferramenta para sistematizar a reforma da ensino discutida entre educadores. Uma reforma "sistêmica" da escola é baseada, essencialmente em duas idéias: uma nova visão do processo de aprendizagem e uma nova visão da liderança.
Recentes pesquisas em neurociência e ciências da cognição resultaram em uma nova compreensão do processo de aprendizagem, baseada na visão de que o nosso cérebro é um sistema complexo, fortemente adaptativo e auto-poiético. A nova compreensão reconhece uma construção ativa do conhecimento, na qual toda nova informação é reportada a experiências passadas em uma busca constante por padrões e significado; assim vemos a importância de uma aprendizagem a partir da experiência onde diversas aprendizagens envolvem múltiplas inteligências; e os contextos emocional e social, que é onde começa o conhecimento.
Uma nova compreensão do processo de aprendizagem necessita estratégias institucionais. Particularmente, é necessário redesenhar e integrar o currículo, enfatizando conhecimentos contextuais, para que cada disciplina seja percebida como recursos que servem a um foco central.
Uma maneira ideal de conseguir esta integração é o método de aprendizagem por projetos que consiste a facilitação de experiências de aprendizagem que coloquem o estudante dentro de um mundo complexo, projetos que estejam no universo cotidiano dos estudantes, através dos quais eles desenvolvam ações e apliquem seus conhecimentos e habilidades.


O jardim escolar


No centro para a alfabetização ecológica, nós vivenciamos que cultivar um jardim escolar e usá-lo como um recurso para conseguir alimentos para a merenda é um projeto perfeito para experimentar o pensamento sistêmico e os princípios da ecologia na prática, e integrar o currículo. A jardinagem reconecta as crianças aos princípios da alimentação - e portanto, para os princípios da vida - enquanto integra e enriquece qualquer atividade da escola.
No jardim, nós aprendemos sobre os ciclos naturais da comida e os integramos com outros ciclos como o da plantação, colheita, compostagem e reciclagem. Dentro desta prática nós também aprendemos que o jardim é um todo envolvido em sistemas maiores que são redes vivas com seus próprios ciclos. O ciclo alimentar está interconectado com estes ciclos maiores - o ciclo da água, o ciclo das estações, e assim por diante - todos eles ligados à rede planetária da vida.
Através da jardinagem nós também nos tornamos conscientes de como somos parte da teia da vida, e a experiência ecológica nos permite sentir um sentido de lugar. Nós nos conscientizamos de como estamos envolvidos em um ecossistema, em uma paisagem com fauna e flora particulares ou em um sistema social e cultural. "Lugares", escreve David W. Orr, "são laboratórios de diversidade e complexidade, combinando funções sociais e um processo natural... O estudo do lugar
nos permite ampliar nosso foco para examinar as interrelações entre as disciplinas e aumentar nossa percepção do tempo."
Para as crianças, estar no jardim é algo mágico. Como um dos nossos professores relatou "uma das coisas mais empolgantes do jardim é que criamos um local mágico para crianças que não teriam esse contato em nenhuma outra parte, que não sentiriam a Terra nem as plantas que crescem. Você pode ensinar o que quiser, e estar ali, vendo crescer, cozinhando e comendo, essa é a ecologia que toca o coração deles e que fará diferença..."


Crescimento e Desenvolvimento
No jardim, nós observamos e vivenciamos o ciclo da vida de um organismo - o ciclo de nascimento, crescimento, maturidade, morte e nascimento da próxima geração. No jardim nós experimentamos crescimento e desenvolvimento diariamente, e a compreensão de crescimento e desenvolvimento é essencial, não somente para a jardinagem, mas sobretudo para a educação. Enquanto as crianças aprendem que aquele trabalho no jardim da escola muda com o desenvolvimento e maturação das plantas, os métodos pedagógicos dos professores e seu discurso mudam com o desenvolvimento e a maturidade dos estudantes.


Desde o trabalho pioneiro de Jean Piaget, Rudolf Steiner e Maria Montessori um amplo consenso emergiu entre cientistas e educadores sobre a revelação das funções cognitivas no crescimento infantil. Parte deste consenso é o reconhecimento que um rico e multisensorial ambiente de aprendizagem - as formas e as texturas, as cores, os aromas, e os sons do mundo real - é essencial para o completo desenvolvimento cognitivo e emocional da criança.
Aprender no jardim da escola é aprender no mundo real no que há de melhor. Isto é benéfico para o desenvolvimento individual do estudante e da comunidade escolar, e esta é uma das melhores formas das crianças se tornarem ecologicamente alfabetizadas e portanto capazes de contribuir na construção de um futuro sustentável.


Liderança Compartilhada

É obvio que a integração do currículo escolar a partir de um trabalho de horta ou qualquer outro projeto ambiental só será possível se a escola se tornar uma verdadeira comunidade de aprendizagem. As relações entre as várias disciplinas só ficam claras se houver relações humanas correspondentes entre professores e administradores escolares.

Em uma comunidade de aprendizagem professores, estudantes, administradores e família estão interconectados em uma rede de relações, trabalhando juntos para facilitar a aprendizagem. O conhecimento não flui de cima para baixo, mas há um intercâmbio cíclico de informações. O foco é no aprendizado e qualquer um do sistema é, ao mesmo tempo, professor e aluno. Feedbacks são intrínsecos ao processo de aprendizagem, como uma chave para avaliar o processo. O pensamento sistêmico é crucial para entender o funcionamento das comunidades de aprendizagem. De fato, como eu já mencionei, os princípios da ecologia podem também ser vistos como princípios das comunidades.
Finalmente, a compreensão sistêmica da aprendizagem, um novo desenho do currículo e novos padrões de qualidade só serão possíveis com uma nova prática de liderança. Essa nova maneira de liderança é inspirada na compreensão de uma importante propriedade dos sistemas vivos, que só recentemente foi identificada e explorada. Todo sistema vivo ocasionalmente atravessa fases de instabilidade, na qual algumas de suas estruturas quebram enquanto novas estruturas emergem. Este estabelecimento espontâneo de ordem - de novas estruturas e novas formas de comportamento - é uma das características da vida. Em outras palavras, criatividade - a geração de formas que são sempre novas - é uma propriedade de todos sistemas vivos.
Liderança, portanto, consiste em uma grande escala contínua de facilidades para emergir novas estruturas e incorporá-las no que elas têm de melhor para o desenho da organização. Este tipo de "liderança sistêmica" não é limitado a indivíduos sozinhos, mas pode ser compartilhado e a responsabilidade então torna-se uma capacidade do conjunto de indivíduos


Componentes da alfabetização ecológica
Isto me leva a concluir minha fala. Eu tenho tentado mostrar para você como é a forma do pensamento sistêmico intelectual essencial da alfabetização ecológica, a estrutura conceitual que nos permite integrar vários componentes. Vou resumir estes componentes:
· entender os princípios da ecologia, experenciando-os na natureza e deste modo adquirindo o senso de lugar;
· incorporar as inspirações vindas do novo aprendizado que enfatiza a pesquisa das crianças em padrões e significados;
· implementar os princípios da ecologia que alimentam o aprendizado comunitário, facilitar a emergência e compartilhar lideranças;
· integrar o currículo através de projetos de aprendizagem.



Como nosso século está acabando e nós vamos na direção do início do novo milênio, a sobrevivência da humanidade depende de nossa habilidade para entender os princípios da ecologia e viver de acordo com eles. Esta é a iniciativa que transcende todas as diferenças de raça, cultura ou classe. A Terra é nossa casa comum e criar um mundo sustentável para nossas crianças e para as futuras gerações é nossa tarefa comum.



Texto extraído do site /www.harmonianaterra.org.br/textos.htm

Alfabetizar com Arte


Ler, gostar de poesia e de outras formas de arte atualmente parece estar em contradição com o ritmo de vida que não conhece os tempos longos e em contradição com o ecletismo da cultura contemporânea. Porém o fascínio pela arte acompanha seus autores e admiradores, chamando a atenção para a sua importância e projetando nova luz sobre a arte. 


A palavra arte traz à mente obras consagradas pela cultura e destinadas a provocar o sentimento do belo. Arte pode ser entendida como estilização da realidade, instauração de novas existências, criação de formas. 


Toda ação humana voluntária e consciente, que tende a produzir beleza ou emoção estética, é arte. Artes plásticas, arquitetura, cinema, fotografia, literatura, música erudita, música popular, quadrinhos e teatro são as maiores formas de manifestação artística no Brasil. 


A partir da segunda metade do século XX, surgiram novas formas de arte: grafite: pintura por meio de spray em lugares públicos; instalação: disposição de elementos no espaço com a intenção de estabelecer uma relação com o espectador; arte postal: que se utiliza do meio postal para a criação e divulgação; arte ambiental: que modifica e se relaciona com elementos da paisagem natural, principalmente por meio de escultura e da instalação; performance: execução de uma ação espontânea ou teatral. 


A arte tem o sentido de cultivar a sensibilidade e a emoção e de desencadear um número enorme de atividades que trabalham diretamente a questão da alfabetização. 


A arte torna o trabalho educativo interessante, atraente e sedutor. Para tornar os alunos mais sensíveis e despertá-los para um mundo novo de sensações, o talento e a flexibilidade do professor, da sua arte, dependerá o êxito da sua missão. 


A manifestação artística tem em comum com o conhecimento científico, técnico ou filosófico seu caráter de criação e inovação. Essencialmente, o ato criador, em qualquer das formas de conhecimento, estrutura e organiza o mundo, respondendo aos desafios que dele emanam, num constante processo de transformação do ser humano e da realidade circundante. 


Os meios de expressão criadora: criação pelo desenho, criação pela palavra, criação pela construção, criação pela música e pelo movimento, desenvolvem a sensibilidade, a fluência, a flexibilidade, a originalidade, a redefinição e reorganização, a abstração, a síntese, a organização. esse imenso campo de desenvolvimento de capacidade e de formação de hábitos de trabalho e de vida é indispensável ao aprendizado de todas as áreas do programa escolar. 


Música: o ritmo está presente na própria vida orgânica, nas mais variadas relações do indivíduo com seu meio. Desde cedo as crianças batem palmas, balançam o corpo e marcham, sob a influência da música. A melodia, o ritmo e a dança são cultivados desde as civilizações mais rudimentares. 


Poesia: sensibiliza qualquer ser humano. É a fala da alma, do sentimento. 


Drama: como arte auxiliar da aprendizagem é muito importante e o seu campo muito vasto. Dentro da dramatização, pode-se desenvolver o teatro de sombra, o de fantoches, o de vara para crianças e, mais tarde, a peça teatral, sendo os alunos, os próprios personagens e também autores das peças. 


A pintura, a construção, o desenho, a modelagem são outras formas de arte indicadas para a educação artística/estética dos educandos. o jogo é uma linguagem de gestos, movimentos e mímica, tanto quanto uma linguagem de palavras. A verdadeira linguagem social das crianças, quer dizer, a linguagem utilizada na atividade fundamental das crianças. 


O processo de socialização da criança, isto é, a progressiva capacidade de conhecer e conviver com o espaço social que a cerca, suas regras e padrões de comportamento, inicia-se no momento em que a criança nasce. Desenvolve-se com a capacidade simbólica do pensamento que fornece à criança condições para o progresso rápido desse processo, o desenvolvimento da linguagem, a capacidade de brincar e de interagir com outras crianças e a possibilidade de conviver com outros grupos além do familiar. 


O brincar é um elemento essencial do comportamento humano e também a atividade mais vital da infância. O brincar, como atividade objetiva da infância, é o instrumento que facilita o crescimento, a aprendizagem e o desenvolvimento bem equilibrado. Os tempos modernos, além de eliminarem o sentimento geral de que o brinquedo é supérfluo, estabelecem de maneira positiva o papel importante de que ele tem no desenvolvimento motor e mental da criança. 


O progresso da ciência, o desenvolvimento industrial, os novos materiais, o mundo em transformação fazem com que as crianças, além de seus brinquedos estáticos, inanimados, solicitem outros que representam uma extensão de seu sentido de integração no tempo. Surgem os brinquedos mecânicos, eletrônicos, auto-reguláveis e de controle remoto. Surgem também brinquedos com regras, como jogos, que a criança já não pode mais agir com o impulso imediato. Ela vai adquirindo autocontrole, e suas maiores vitórias são conseguidas através do brinquedo, vitórias que influenciarão suas ações reais e morais, no futuro. 


O conceito de arte transformou-se - hoje, a arte é percebida construída e não mais como expressão; o público já não é mais passivo, pode ser incorporado, ativamente, como colaborador/leitor dentro da linguagem da obra. Isso se deve a novas descobertas das linguagens técnicas: fotografia, rádio, cinema, TV, disco..., que são linguagens passíveis de serem reproduzidas. 


É essencial que a escola reafirme o compromisso de introduzir a arte em seu currículo.O ensino aprendizagem perpassado pela alegria e beleza da arte, num clima onde as relações humanas são revestidas de maior aprazabilidade, contribuirá para a realização de uma educação verdadeiramente comprometida com a cidadania.
Publicado em: 27 junho2007


Fonte: http://pt.shvoong.com/social-sciences/1623058-arte-na-alfabetiza%C3%A7%C3%A3o/#ixzz1V8JlJYww

Dificuldades - Como Lidar


Dificuldades de Aprendizagem e 
Métodos no Processo de Alfabetização


Quando pensamos em dificuldades de aprendizagem vem a nossa mente algo do tipo, incapacidade que o indivíduo apresenta para realizar uma determinada atividade (tarefa). Então a função da escola é propiciar aos alunos caminhos para que eles aprendam cada vez mais e possibilitem aos mesmos atuar criticamente em seu meio social. Propor práticas discursivas de leitura e escrita tendem a ajudar estas crianças em suas dificuldades. Tendo como objetivo analisar as dificuldades de alfabetização. Verificando os métodos para identificá-las e tratá-las. A metodologia utilizada neste estudo será a pesquisa em fontes bibliográficas (livros, artigos). Os resultados permitirão a possibilidade de identificação das dificuldades de aprendizagem no processo de alfabetização e como tratá-las logo no início. O tratamento se dá no início pela observação para depois ingressar no acompanhamento psicológico, terapêutico e também acompanhamento psicopedagógico oferecido pela equipe escolar em sala de aula ou fora dela. Muitas das atividades trabalhadas no dia-a-dia escolar ajudam a criança no desenvolvimento de suas faculdades intelectuais (escrita e leitura).
1.0 Introdução
Quando pensamos em dificuldades de aprendizagem vem a nossa mente algo do tipo, incapacidade que o indivíduo apresenta para realizar uma determinada atividade (tarefa).
De acordo com (GRIGORENKO, STERNEMBERG, 2003, p.29)
“Dificuldade de aprendizagem significa um distúrbio em um ou mais dos processos psicológicos básicos envolvidos no entendimento ou no uso da linguagem, falada ou escrita, que pode se manifestar em uma aptidão imperfeita para ouvir, pensar, falar, ler, escrever, soletrar ou realizar cálculos matemáticos”.
Quando a criança começa a ler, a maioria dos alunos tende a ver as palavras como imagens, com uma forma particular ou um padrão. Eles tendem a não compreender que uma palavra é composta de letras usadas em combinações particulares, que correspondem ao som falado. É essencial que os alunos sejam ensinados e aprendam a arte básica de decodificação e soletração desde o inicio.
A ação de escrever exige também da parte da criança uma ação de analise deliberada. Quando fala, ela tem consciência das operações mentais que executa. Quando escreve, ela tem de tomar consciência da estrutura sonora de cada palavra, tem de dissecá-la e produzi-la em símbolos alfabéticos que tem de ser memorizado e estudado de antemão. (Vygotsky, 1979) Segundo o autor podemos concluir que a dificuldade de aprendizagem é um distúrbio psicológico que causa problemas a criança, quando esta se encontra no início do processo de alfabetização.
Já para (SMITYH, STRICK, 2001, P.14)
dificuldades de aprendizagem são “... problemas neurológicos que afetam a capacidade do cérebro para entender, recordar ou comunicar informações”.
A função primordial da escola seria, para grande parte dos educadores, propiciarem aos alunos caminhos para que eles aprendam, de forma consciente e consistente, os mecanismos de apropriação de conhecimentos. Assim como a de possibilitar que os alunos atuem, criticamente em seu espaço social. Essa também é a nossa perspectiva de trabalho, pois, uma escola transformadora é a que está consciente de seu papel político na luta contra as desigualdades sociais e assumem a responsabilidade de um ensino eficiente para capacitar seus alunos na conquista da participação cultural e na reivindicação social. (Soares, 1998).
Mas, frequentemente o aprendizado fora dos limites da instituição escolar é muito mais motivador, pois a linguagem da escola nem sempre é a do aluno. Dessa maneira percebemos a escola que exclui, reduz limita e expulsa sua clientela: seja pelo aspecto físico, seja pelas condições de trabalho dos professores, seja pelos altos índices de repetência e evasão escolar ou pela inadaptabilidade dos alunos, pois a norma culta padrão é a única variante aceita, e os mecanismos de naturalização dessa ordem da linguagem são apagados. (Soares, 2003).
A análise das questões sobre a leitura e a escrita está fundamentalmente ligada à concepção que se tem sobre o que é a linguagem e o que é ensinar e aprender. E essas concepções passam, obrigatoriamente, pelos objetivos que se atribuem à escola e à escolarização.
Muitas das abordagens escolares derivam de concepções de ensino e aprendizagem da palavra escrita que reduzem o processo da alfabetização e de leitura a simples decodificação dos símbolos lingüístico. A escola transmite uma concepção de que a escrita é a transcrição da oralidade.
(Cagliari, 1989: 26)
“Parte-se do princípio de que o aprendiz deve unicamente conhecer a estrutura da escrita, sua organização em unidades e seus princípios fundamentais, que incluiriam basicamente algumas das noções sobre a relação entre escrita e oralidade, para que possua os pré-requisitos, aprenda e desenvolva as atividades de leitura e de produção da escrita”.
Mas a escrita ultrapassa sua estruturação e a relação entre o que se escreve e como se escreve demonstra a perspectiva de onde se enuncia e a intencionalidade das formas escolhidas. A leitura, por sua vez, ultrapassa a mera decodificação porque é um processo de (re) atribuição de sentidos. Essa seria uma concepção de leitura e escrita como decifração de signos lingüísticos transparentes, e de ensino e aprendizagem como um processo cumulativo.
Já na visão contemporânea a construção dos sentidos, seja pela fala, pela escrita ou pela leitura, está diretamente relacionada às atividades discursivas e às práticas sociais as quais os sujeitos têm acesso ao longo de seu processo histórico de socialização. As atividades discursivas podem ser compreendidas como as ações de enunciado que representam o assunto que é objeto da interlocução e orientam a interação. A construção das atividades discursivas dá-se no espaço das práticas discursivas.
Como dito anteriormente, estamos propondo as práticas discursivas de leitura e escrita como fenômenos sociais que ultrapassam os limites da escola. Partimos do princípio de que o trabalho realizado por meio da leitura e da produção de textos é muito mais que decodificação de signos lingüísticos, ao contrário, é um processo de construção de significado e atribuição de sentidos. Pressupomos, também que a leitura e a escrita são atividades dialógicas que ocorrem no meio social através do processo histórico da humanização.
Creio que este trabalho contribuirá para que seja identificado com mais agilidade as dificuldades na aprendizagem, bem como, sugestões de atividades praticas.
2.0 Objetivos
2.1 Objetivo Geral
Analisar as principais dificuldades de aprendizagem na alfabetização.
2.2 Objetivo Específico
Compreender as dificuldades de leitura e escrita no processo de alfabetização.
3.0 Método
Para a realização do estudo, a abordagem metodológica utilizada foi a Revisão Bibliográfica, consultando-se fontes de dados online, artigos científicos, revistas, livros e bibliotecas para o devido enriquecimento do trabalho. As discussões dos resultados foram feitas a partir da pesquisa em vários bancos de dados. Os resultados baseiam-se nas contribuições dos sujeitos pesquisado (Revisão Bibliográfica): CORREIA, L. M.(1983); FERREIRO, Emília; FONSECA, Vitor da; GOULART, C. M.
4.0 Discussão
O termo dificuldade de aprendizagem surgiu em 1962 com o fim de situar esta problemática num contexto educacional, tentando, assim, retirar-lhe o estigma clínico que caracterizava. Surge, então, uma primeira definição proposta por Kirk (1962) em que era bem evidente a ênfase dada à componente educacional e o distanciamento, em termos biológicos, de outras problemáticas, tal como deficiência mental, privação cultural, entre outras.
Segundo Barbara Bateman (1965), citado por Correia e Martins, o termo engloba três fatores importantes:
“discrepância (a criança com DA é considerada como possuindo um potencial intelectual acima da sua realização escolar); irrelevância da disfunção do sistema nervoso central (para determinação dos problemas educacionais da criança não era capital evidenciar uma possível lesão cerebral); e exclusão(as DA da criança não eram devidas a deficiência mental, perturbação emocional, deficiência visual ou auditiva ou a privação educacional ou cultural)”.
Estas duas definições deram a base fundamental das DA. A mais aceita internacionalmente, é a que figura na Individuals with Disabilities education Act (IDEA), que diz o seguinte:
“Dificuldades de aprendizagem específica” significam uma perturbação num ou mais dos processos psicológicos básicos envolvidos na compreensão ou utilização da linguagem falada ou escrita, que pode manifestar-se por uma aptidão imperfeita de escutar, pensar, ler, escrever, soletrar, ou fazer cálculos matemáticos. O termo inclui condições com problemas perceptivos, lesão cerebral, disfunção cerebral mínima, dislexia e afasia de desenvolvimento. O termo não engloba as crianças que tem problemas de aprendizagem resultantes principalmente de deficiências visuais, auditivas ou motoras, de deficiência mental, de perturbação emocional ou de desvantagens ambientais, culturais ou econômicas. (Federal Register, 1997, p.65083, citado por Correia, 1991).
Para Garcia, as causas que produzem esse transtorno podem ser diversas, desde fatores hereditários, passando por distinta etiologia cerebral, até a ausência de estimulação. O certo é que produz dificuldades na elaboração de imagens globais; o que afeta a compreensão oral e escrita, a dificuldade no seguir instruções, dificuldades de julgar causas e efeitos ou dificuldades com a linguagem metafórica ou senso de humor, posto que isto implica a extração de totalidades significativas e relevantes.
As dificuldades de aprendizagem da leitura surgem por dissociações no desenvolvimento das correspondências entre os códigos ortográficos e fonológicos e as conexões múltiplas. Quando não se desenvolvem as conexões específicas entre os códigos entre os códigos específicos ortográfico-fonológicos tradicionais, e múltiplos, surgirão dificuldades de aprendizagem da leitura. Daí que as técnicas instrucionais tradicionais, que favorecem ou a imagem da palavra ou aspectos fônicos ou a análise estrutural, podem contribuir para que dissociações não se produzam ou, se apoiamos a técnica em excesso, se produzam. Esta explicação, atraente e simples, parece apoiar-se empiricamente na avaliação, selecionada teoricamente, e na intervenção.
O ideal é iniciar a instrução enfatizando o desenvolvimento dos códigos ortográficos e fonológicos, o que indiciaria muito positivamente na aquisição do reconhecimento da palavra em maior grau do que nas estratégias tradicionais. (GARCIA, 1998).
Emília Ferreiro e Ana Teberosky atestam que as crianças não entram vazias para as escolas, sem saberem de nada sobre a língua e a linguagem. Para elas, toda criança passa por quatro fases antes de serem alfabetizadas:
1)Pré-silábica; 2)Silábica; 3)Silábico-alfabética; 4)Alfabética:
“A criança que adquire autoconfiança e bem estar na interpretação de seus constructos, desenvolveu boa concentração e certamente terá melhor desempenho na escrita e na leitura”.
Apesar de a criança construir seu próprio conhecimento, no que se refere à alfabetização, cabe ao professor, organizar atividades que favoreçam a reflexão sobre a escrita. “A criança precisa se sentir segura para expressar-se com mais facilidade, o que a ajudará no seu processo de leitura e escrita”.
Segundo as autoras, a criança tem que aprender a ter confiança em si mesma para expressar-se com mais facilidade.
Quando criança apresenta deficiências no processamento da linguagem: Essas crianças podem ter problemas com qualquer aspecto da linguagem, como por exemplo, ouvir as palavras corretamente e entender os seus significado. As dificuldades apresentadas por estas crianças começam com a linguagem falada o que ocasionalmente interfere na leitura e escrita, no período em que a criança ingressa na escola. Alguns sintomas que devem ser observados: atraso para aprender a falar; tem problemas para citar nomes de objetos ou de pessoas; usa uma gramática pobre; com freqüência, pronuncia mal as palavras; com freqüência, usa gestos com as mãos ou a linguagem corporal para ajudar a transmitir a mensagem; evita falar; demonstra pouco interesse por livros ou historias; com frenquencia, não compreende ou não recorda instruções.
A deficiência também pode ser na língua escrita e devem ser observados os seguintes itens: atrasos significativos para aprender a ler; dificuldade na citação de nomes de letras; problemas para associar letras a sons, discriminar os sons nas palavras, mesclar sons para formar palavras; tenta adivinhar palavras estranhas, ao invés de usar habilidades de analise da palavra; Lê muito lentamente; fraca retenção de novas palavras no vocabulário; antipatiza com a leitura, evitando-a.
Para identificar uma possível deficiência é necessário que o aluno apresente alguns dos itens relacionados.

Principais problemas de aprendizagens:
Problemas graves de comunicação: A criança com dificuldades de aprendizagem pode apresentar um bloqueio ao se expressar com outros.
Mutismo seletivo: é uma condição de ansiedade social, na qual uma pessoa que é capaz de falar é incapaz de expressar-se verbalmente dadas certas situações.
Dislalias: a dislalia (do grego dys + lalia) é um distúrbio da fala, caracterizado pela dificuldade em articular as palavras. Basicamente consiste na má pronúncia das palavras, seja omitindo ou acrescentando fonemas, trocando um fonema por outro ou ainda distorcendo-os ordenadamente.
Disglossias: É caracterizada por uma dificuldade na produção oral ocasionada por alterações anatômicas e/ou fisiológicas dos órgãos envolvidos na fala e cuja causa seja de origem periférica, não relacionada diretamente com alterações neuropsicológicas. Existem diversas causas que incluem: malformações congênitas craniofaciais, transtornos do crescimento que afetam diretamente os órgãos da fala e anomalias adquiridas como conseqüência de lesões na estrutura orofacial ou extirpações cirúrgicas. Má oclusão por malformações; atresia ou ressecção mandibular; lábio leporino com ou sem fissura palatina; traumatismos craniofaciais; véu palatino paralisado, alongado ou fissurado; anquiloglosia; glosectomia; paralisia da língua e alterações na cavidade nasal são algumas das causas de disglossia.
Atraso da fala: Algumas crianças apresentam perturbação no desenvolvimento da linguagem que não pode ser explicado por déficits de percepção sensorial, capacidades intelectuais ou funcionamento motor ou sócio-econômico. Os atrasos de linguagem podem acarretar dificuldades em toda a vida do sujeito, pois a aquisição de linguagem acontece como uma continuidade durante todo o desenvolvimento. Alguns processos facilitadores da fala, vocábulo restrito, uso reduzido de artigos, preposições, expressões incorretas de tempos verbais evidenciam uma habilidade reduzida do uso da língua, caracterizando um atraso leve de linguagem. Quanto maior a intensidade das características acima citadas maior é a complexidade e o agravamento do grau do atraso na linguagem.
Disfemias: são perturbações intermitentes na emissão das palavras, sem que existam alterações dos órgãos da expressão. Neste grupo de transtornos da linguagem o distúrbio mais importante é a gagueira (tartamudez).
Afasia: a afasia é uma deterioração da função da linguagem, depois de ter sido adquirida de maneira normal e sem déficit intelectual correlativo. Caracteriza-se por dificuldade em nomear pessoas e objectos. Podem levar a um discurso vago ou vazio caracterizado por longos circunlóquios e pelo uso excessivo de referências indefinidas como "coisa" ou "aquilo". Pode evoluir para um comprometimento grave da linguagem escrita e falada e da repetição da linguagem.
Disfasia: (Disfasia/Audiomudez).Transtornos raros da evolução da linguagem. Trata-se de crianças que apresentam um transtorno da integração da linguagem sem insuficiência sensorial ou fona tória; que podem, embora com dificuldade, comunicar-se verbalmente e cujo nível mental é considerado normal.
Dislexia: a dislexia (da contração das palavras gregas: dis = difícil, prejudicada, e lexis = palavra) caracteriza-se por uma dificuldade na área da leitura, escrita e soletração. A dislexia costuma ser identificada nas salas de aula durante a alfabetização sendo comum provocar uma defasagem inicial de aprendizado.
A dislexia, segundo Jean Dubois et al. (1993, p.197), é um defeito de aprendizagem da leitura caracterizado por dificuldades na correspondência entre símbolos gráficos, às vezes mal reconhecidos, e fonemas, muitas vezes, mal identificados.
A dislexia não é uma doença. É apenas um bloqueio apresentado por crianças que encontram-se no início do processo de alfabetização.A dislexia é caracterizadapela dificuldade de aprendizagem na leitura e escrita.Pessoas disléxicas apresentam dificuldades na associação do som à letra(alfabeto) e também tendem a trocar algumas letras ou mesmo escrevê-las na ordem inversa.
Hiperatividade: Alguns fatores de desenvolvimento no início da infância como o bebê com dificuldades para dormir e para se acalmar, possam colocar essa criança no grupo de risco de ser uma criança hiperativa. “[...] Embora os profissionais não rotulem uma criança antes de ela ter no mínimo cinco anos [...]”(GOLDESTEIN, 1998,p.22.).
O diagnóstico de hiperatividade é difícil e complexo. Vejamos alguns pontos comuns:
* Desatenção e agitação: uma criança hiperativa não consegue se concentrar.
* Impulsividade: crianças hiperativas muitas vezes não pensam antes de agir, o que resulta num comportamento inadequado.
A hiperatividade é um problema muito complexo e se não for tratado na infância traz conseqüências drásticas pelo resto da vida.
“As crianças com dificuldades de aprendizagem frequentemente têm problemas em mais de uma área”. Por exemplo, a deficiência primária de uma criança (aquela que está causando mais problemas na escola) pode envolver problemas com a compreensão da linguagem, mas ela também pode ter problemas com a concentração e estar um pouco atrasada no desenvolvimento de sua coordenação motora fina. Em casos como esse, é necessário compreender não apenas cada uma das deficiências, mas também como podem complicar umas as outras. Para “maximinizarem-se as chances de melhora, todas as deficiências precisam ser abordadas”.
“As dificuldades de aprendizagem não desaparecem, quando uma criança volta para casa após a escola”. Essas condições afetam o modo como uma criança percebe o mundo, de forma que influenciam a conduta em casa e os relacionamentos sociais e familiares, bem como o desempenho escolar. Grande parte do comportamento que parecem descuidado ou mesmo propositadamente perturbador (como uma dificuldade para ser pontual, perder as coisas ou o fracasso crônico para completar tarefas) pode estar relacionada, em parte, com os problemas de aprendizagem da criança. Os pais que entendem a natureza da deficiência do filho estão na melhor posição para desenvolverem expectativas realísticas – e eles também pouparão a si mesmos muitos incômodos e agravamentos inúteis”.
“As dificuldades de aprendizagem podem produzir conseqüências emocionais. As razões não são nenhum mistério. Como você poderia sentir-se se enfrentasse uma exigência diária para fazer algo que não consegue fazer (ler um livro em sânscrito, por exemplo)? Dia após dia você se esforça, sem sucesso. Você ficaria frustrado? Ansioso? Irritado? Agora, suponhamos que você seja o único em um grupo de 25 pessoas que não consegue executar essa tarefa. Todos os seus companheiros já estão no sânscrito intermediário, e você não consegue sair da primeira página. Seus professores e aqueles que você ama estão ficando impacientes. É claro que você pode fazer isso, eles insistem- tudo o que tem a fazer é tentar!”.
A identificação das DA deve ser feita o mais rápido possível. Cabe aos professores-educadores e pais identificá-las, observando o comportamento apresentado pelas crianças.
Neste sentido, requer-se que qualquer aluno possa ter a sua disposição um conjunto de serviços adequados as suas necessidades, prestados, sempre que possível, na classe regular. Para alunos com dificuldades de aprendizagens, no que diz respeito a serviços educacionais na classe regular, há que considerar um conjunto de fatores que podem facilitar a sua aprendizagem, reestruturando o ambiente educativo, dando instruções simples sobre as tarefas escolares, ajustando os horários (sê necessário, dar um tempo a mais, ou menos atividades), alterar os textos e das atividades de casa, fazer uso da tecnologia de informação e de comunicação, rever a proposta de avaliação. Sê necessário, alguns serviços educacionais (serviços de psicologia, fonoaudióloga, terapia ocupacional, psicopedagogicos clinico) podem ser feitos fora da classe regular.

A seguir uma lista de verificação que tem por base a Escala de Comportamento Escolar (Correia, 1983) e uma lista de verificação do Centro Nacional Americano para as Dificuldades de Aprendizagem (1997), onde está agrupado um conjunto de sinais que podem ser indicadores de DA.



Já que não se trata de uma questão de métodos, é o comportamento do professor em face de sua prática pedagógica que faz diferença. Estes são os principais métodos utilizados pelos professores:
Fônico:
Enfatiza as relações símbolo-som. Há duas “correntes”. Na sintética, o aluno conhece os sons representados pelas letras e combina esses sons para pronunciar palavras. Na analítica, o aluno aprende primeiro uma série de palavras e depois parte para a associação entre o som e as partes das palavras.
Alfabético:
Os alunos primeiro identificam as letras pelos seus nomes, depois soletram as sílabas e, em seguida, as palavras antes de lerem sentenças curtas e, finalmente, histórias. Quando os alunos encontram palavras desconhecidas, as soletram até decodificá-las.
Analítico:
Também conhecido como método “olhar-e-dizer”, começa com unidades completas de linguagem e mais tarde as divide em partes. Exemplo: as sentenças são divididas em palavras, e as palavras, em sons. O “Orbis Sensualium Pictus” é considerado o primeiro livro escolar importante. Abaixo das gravuras estavam os nomes impressos para que os estudantes memorizassem as palavras, sem associá-las as letras e sons.
Sintético:
Começa a ensinar por partes ou elementos das palavras, tais como letras, sons ou sílabas, para depois combiná-los em palavras. A ênfase é a correspondência som-símbolo.
A apropriação da linguagem escrita, na perspectiva das práticas sociais letradas, vem sendo estudada como uma aprendizagem conceitual de grande complexidade.
O trabalho pedagógico realizado nas classes de alfabetização, em geral, não se tem mostrado suficiente para formar leitores, escritores proficientes (GOULART, 2000).
É possível constarmos que há um alto índice de fracasso escolar, principalmente nas classes de alfabetização. O que preocupa muito a escola e a sociedade.
MORAIS (1994) afirma:
“(...) com freqüência os professores procuram explicar por que o aluno não aprende, atribuindo a culpa, apressadamente, a aspectos isolados, deficiências de natureza biológica, psicológica e cultural, carências de diferentes tipos, em detrimento de pesquisas mais abrangentes e de análises mais criteriosas capazes de esclarecer a situação.”
Já para FONSECA (1995):
“as dificuldades de aprendizagem aumentam na presença de escolas superlotadas e mal equipadas, além de contarem com muitos professores “desmotivados”. A escola não pode continuar a ser uma fábrica de insucesso”.
Segundo FONSECA, podemos concluir que os professores assim, como as escolas devem trabalhar com competência e dedicação (revendo seus métodos de ensino e adaptando-os quando necessário), para atraírem os alunos para a escola, onde terão a oportunidade de aprender a ler e escrever. E também a melhorar as estatísticas quanto ao fracasso escolar, embora, não podemos negar que independente do tipo de escola ou sala de aula há alunos que realmente, apresentam dificuldades de aprendizagem e devem ser diagnosticado e tratado devidamente por um profissional competente e ter o apoio do professor e da família.
De quem é a responsabilidade quando uma criança apresenta dificuldades de aprendizagem na alfabetização? O que fazer?
Os pais, a escola (professor) e a criança devem estar em sintonia, cada um fazendo sua parte. A responsabilidade é de todos. Cada um deve fazer a sua parte. Na escola a criança vai receber ajuda do professor, e em casa deve ser auxiliado pelos pais. Pais e professor devem auxiliar a criança que está em processo de aprendizagem, para que ela venha a desenvolver-se.
5.0 Considerações finais
Tfouni (1995) refere-se à alfabetização como um processo individual de aquisição da escrita, o que envolve aprendizagem de habilidades para leitura, escrita e práticas de linguagem. Caracteriza-se pela incompletude, “já que a sociedade está em contínuo processo de mudança, e atualização individual para acompanhar essas mudanças é constante”. (p.15).
As dificuldades de aprendizagem na alfabetização devem ser tratadas. O primeiro passo é a observação por parte dos professores e dos pais, para juntos buscarem ajuda de outros profissionais. Esta ajuda é uma avaliação que será feita tendo por finalidade verificar se o aluno obedece a um conjunto de critérios, ou regras simples e se tem problemas de concentração e de atenção; com isso os profissionais irão verificar se o nível de inteligência desta criança está na média ou acima dela. A partir daí este aluno será atendido por estes profissionais, que farão intervenções adequadas (disponibilizando serviços de acompanhamento de Psicologia, de terapia da fala de acordo com as necessidades do aluno) para prevenir ou reduzir este problema de dificuldade de aprendizagem.
Algumas sugestões de atividades para se trabalhar em sala de aula com a criança que apresenta dificuldades de aprendizagem. Primeiramente a parte de psicomotricidade: esquema corporal, lateralidade, estruturação espacial, orientação temporal, pré-escrita. Ao aplicar estas atividades o (a) professor (a) deve estar atento ao comportamento apresentado pelo aluno. E não exigir que ele aprenda tudo num primeiro momento; cada criança aprende a seu tempo.Depois vem a parte de Cognição: percepção, memória visual, auditiva e visomotora, atenção, raciocínio, linguagem e compreensão da leitura. O professor deve trabalhar estas atividades de forma clara e objetiva, facilitando a compreensão da criança e seu desenvolvimento.
Um ponto que não podemos esquecer-nos de frisar é que estes profissionais que lidam com alunos com dificuldades de aprendizagem têm que estar em constante processo de formação para atender de forma adequada estes alunos e os pais.
A escola (professores, gestores) deve incentivar e contribuir para com a família e o aluno buscando ajuda e mais conhecimentos para lidar com as dificuldades de aprendizagem; apresentando-se como uma comunidade escolar ativa e dinâmica que almeja melhorias na qualidade do atendimento escolar e psicológico de seus alunos.
Referências Bibliográficas:
CAGLIARI, Tânia. O Professor Refém: para pais e professores entenderem por que fracassa a educação no Brasil. Rio de Janeiro. Record.
CORREIA, L. M.(1983). Escala de Comportamento Escolar. Porto: Porto Editora.
FERREIRO, Emília, Reflexões sobre alfabetização. São Paulo, Cortez, 2001.
FERREIRO, E. e TEBEROSKY, A. Psicogênese da língua escrita.Porto Alegre: Artes Médicas, 1985.
FONSECA, Vitor da.Introdução ás dificuldades de aprendizagem. 2ª ed.Porto Alegre, Artmed: 1995.
GARCÍA, Jesus Nicasio. (1998). Manual de dificuldades de aprendizagem: linguagem, leitura, escrita e matemática. Tradução de Jussara Haubert Rodrigues. Porto Alegre: Artes Médicas.
GOLDESTEIN, Sam. Hiperatividade: Como desenvolver a capacidade de atenção da criança. 4 ed. Campinas: PAPIRUS,1998.
GOULART, C. M.A apropriação da linguagem escrita e o trabalho alfabetizador na escola. Cad. Pesquisa. Nº. 110-São Paulo, Julho de 2000.
GRIGORENKO, Elena L. STERNBERG, Robert J. Crianças Rotuladas-O que é Necessário Saber sobre as Dificuldades de Aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2003.
KIRK, S. A. (1962). Educating Exceptional Children. Boston: Houghton Mifflin.
MORAIS, A.M.P. A relação entre a consciência fonológica e as dificuldades de leitura. Dissertação de Mestrado, PUC-SP, 1994.
POLITY, Elizabeth. Dificuldade de aprendizagem construindo novas narrativas. São Paulo: Vetor, 2001.
SHIMITH, Corinne. Dificuldades de aprendizagem de A a Z. Porto Alegre: Artes Médicas, 2001.
SOARES, M. Letramento: como avaliar, como medir. In: SOARES, M. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autentica, 1998.
SOARES, M. Letramento e alfabetização: as muitas facetas. Revista Brasileira de Educação. UMFMG, outubro 2003.
TFOUNI, Leda V. – Letramento e Alfabetização. São Paulo: Cortez, 1995.
VYGOTSKY, Lev Semenovich, A construção do pensamento e da linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
                 Resumo - Autoras: Nelci Soares Pérsio e Eunice Barros Ferreira Bertoso

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Virginia Maria Pereira da Rocha


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Solange Depera Gelles



EU em ENTREVISTA- Educadores Multiplicadores!

Arquivo de POSTAGENS:

Mimo no BONIFRATI...



Usando a criatividade,
todo mundo pode pensar diferente.
Que 2 + 2 são dois patinhos.
E até detrás para frente.
Se permitir criar,
Tudo pode mudar.

Seja arte, escrita, música.
Receita, caminho, solução.
O que importa é pôr a mente para funcionar
e dar à luz a imaginação

Melhor ainda, se arriscar.
Tomar coragem e compartilhar.
Deixar vir ao mundo e ao mundo mostrar.

Nada que fica na gaveta,
pode trazer boas coisas para o planeta

Abra a sua caixa secreta.
E mergulhe na mente, a sua biblioteca.
Criar é concretizar ideias.

Linguagem Escrita!

"...a escrita deve ter significado para as crianças, uma necessidade intrínsica deve ser despertada. Nelas, a escrita deve ser incorporada a uma tarefa necessária e relevante para a vida. Só então poderemos estar certos de que ela se desenvolverá não como hábito de mão e dedos, mas como uma forma nova e complexa de linguagem".
Vygotsky.

Professores!

A arte torna o trabalho educativo interessante, atraente e sedutor. Para tornar os alunos mais sensíveis e despertá-los para um mundo novo de sensações, o talento e a flexibilidade do professor, da sua arte, dependerá o êxito da sua missão.

Alegria....alegria!

ALFABETIZAÇÃO

O processo de alfabetizar é apaixonante,
antes de tudo é um ato de amor,
coragem e persistência. Pelo simples e
talvez o mais gratificante fato
de permitir ao ser pensante a liberdade
de construção da sua própria história.






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Senhor Deus de amor,Pai de bondade,nós vos louvamos e agradecemospelo dom da vida,pelo amor com que cuidais de toda a criação.Vosso Filho Jesus Cristo,em sua misericórdia, assumiu a cruz dos enfermos e de todos os sofredores,sobre eles derramou a esperança de vida em plenitude.Enviai-nos, Senhor, o Vosso Espírito.Guiai a vossa Igreja, para que ela, pela conversão se faça sempre mais, solidária às dores e enfermidades do povo,e que a saúde se difunda sobre a Terra.Amém.






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